Mercado Imobiliário Residencial Acelera: 36 % mais fogos licenciados no início de 2025 em Portugal
- Redação Mudei e Agora
- 10 de set.
- 3 min de leitura

O mercado imobiliário português começou 2025 com sinais claros de recuperação e expansão: dados recentes mostram que 10,2 mil fogos de habitação familiar foram licenciados no início do ano, representando um aumento de 36 % face ao mesmo período de 2024.
Este aumento significativo reflete a retomada da confiança dos promotores, investidores e autoridades locais, mas também aponta para desafios logísticos e sociais na entrega destes novos empreendimentos.
Distribuição geográfica dos fogos licenciados
Norte: 40 % do total, liderando o ranking devido à dinamização de cidades como Porto, Braga e Vila Nova de Gaia.
Grande Lisboa: 21,3 %, concentrando projetos urbanos e periurbanos.
Centro: 15,6 %, com destaque para Coimbra e Aveiro.
Sul e regiões autónomas: restante do pipeline, com crescimento mais modesto mas consistente.
Esta distribuição revela que, embora o crescimento seja nacional, a maior pressão recai sobre os grandes centros urbanos e regiões metropolitanas, onde a procura por habitação continua intensa.
Fatores que impulsionaram o crescimento
Confiança dos promotores
O aumento da procura residencial, aliado a expectativas de valorização contínua, levou os promotores a acelerar o licenciamento de novos projetos.
Políticas públicas e incentivos
Programas de apoio à habitação, simplificação de alguns processos de licenciamento e incentivos fiscais têm contribuído para tornar os projetos mais viáveis.
Investimento estrangeiro
O interesse de investidores internacionais em habitação em Lisboa, Porto e Algarve estimulou a expansão do pipeline, especialmente no segmento médio-alto e premium.
Impactos esperados no mercado
Oferta de habitação
O aumento de 36 % no pipeline sugere que, nos próximos anos, haverá mais casas disponíveis, ajudando a aliviar a pressão nos preços e no arrendamento, especialmente nas áreas metropolitanas.
Preços de venda
Apesar do crescimento da oferta, os preços podem não cair significativamente no curto prazo devido à elevada procura e custos de construção ainda altos.
Arrendamento
A expansão do pipeline pode permitir o aumento da oferta de arrendamento, principalmente em projetos com quotas de habitação a preços controlados ou destinados a programas de arrendamento social.
Desafios e riscos
Execução dos projetos
Um pipeline robusto não garante entrega imediata; atrasos burocráticos, escassez de mão-de-obra e custos de materiais podem impactar prazos.
Qualidade e sustentabilidade
É crucial que os novos projetos sigam normas de eficiência energética e construção sustentável, alinhadas com políticas europeias e nacionais.
Segmentação da oferta
Grande parte dos fogos licenciados concentra-se em segmentos médios-altos. Sem políticas de habitação acessível, a desigualdade de acesso poderá persistir.
Oportunidades estratégicas
Investidores: Podem antecipar valorização em áreas metropolitanas e cidades em expansão.
Promotores: Devem considerar diversificação de produtos, incluindo habitação acessível e arrendamento de longo prazo.
Governo e municípios: Necessário monitorizar o pipeline e apoiar programas de habitação social para equilibrar oferta e acessibilidade.
Perspetivas para 2025
Se o ritmo de licenciamento e execução se mantiver, Portugal poderá atingir níveis de oferta habitacional mais equilibrados já a partir de 2026.O pipeline indica uma resposta positiva à procura reprimida, podendo contribuir para estabilizar preços e rendas, se os projetos forem entregues no prazo e distribuídos estrategicamente pelo território.
Conclusão
O aumento de 36 % no número de fogos licenciados no início de 2025 evidencia a vitalidade e resiliência do mercado imobiliário português.No entanto, é fundamental que a execução dos projetos acompanhe o ritmo do licenciamento e que haja atenção especial à habitação acessível, eficiência energética e equidade territorial.
Este crescimento cria oportunidades únicas para investidores, promotores e decisores públicos, mas também exige planeamento rigoroso para que o aumento da oferta se traduza em benefícios reais para todos os segmentos da população.
Fonte: MaisConsultores / Gabinete Estatístico Português (maisconsultores.pt)



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