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Novo PDM de Braga: expansão urbana e oportunidades imobiliárias

  • Redação Mudei e Agora
  • há 5 dias
  • 3 min de leitura

Braga acaba de dar um passo decisivo na definição da sua estratégia urbana para os próximos anos com a aprovação do novo Plano Diretor Municipal (PDM). Esta revisão amplia de forma significativa a área urbana do concelho, com um aumento de 25,9% de solo urbano e mais 1.519 hectares disponíveis para construção, um crescimento descrito como único no contexto nacional.


O processo de revisão foi longo e envolveu debates intensos a nível político e técnico. A Assembleia Municipal aprovou o documento com 38 votos a favor, 32 abstenções e três votos contra, revelando um apoio alargado, mas acompanhado de reservas de várias forças políticas. Entre os argumentos críticos surgem preocupações ambientais, receio de urbanização excessiva e dúvidas sobre a capacidade do plano responder de forma equilibrada à crise da habitação.


Do ponto de vista urbanístico, o novo PDM procura acomodar o crescimento populacional e económico de Braga. O aumento de solo urbano abre espaço para mais habitação, novos empreendimentos multifamiliares e expansão de moradias, distribuídos por várias freguesias. O objetivo declarado do executivo é evitar que jovens e famílias sejam empurrados para concelhos vizinhos por falta de oferta e preços elevados, tornando o concelho mais competitivo na atração e retenção de talento.


O plano integra também uma visão de mobilidade e sustentabilidade. A preparação para a futura linha de alta velocidade Porto–Vigo, com soluções como o túnel previsto para Aveleda, Fradelos e Celeirós, mostra a preocupação em minimizar impactos e preservar a qualidade de vida. Paralelamente, a criação de corredores verdes, a proteção de áreas paisagísticas como o Bom Jesus e o Sameiro e a valorização das frentes ribeirinhas pretendem equilibrar expansão urbana com preservação ambiental.


Do lado económico, o novo PDM é visto como uma alavanca para atrair investimento e diversificar a base produtiva. A ampliação da área urbana permite desenvolver novos parques empresariais, zonas de serviços e comércio, reforçando o papel de Braga como polo regional de inovação, tecnologia e serviços avançados. A execução integral do plano exigirá investimentos significativos em infraestruturas, equipamentos e espaço público, criando também oportunidades para empresas de construção, arquitetura, engenharia e imobiliário.


Para o mercado imobiliário local, as implicações são profundas. A maior disponibilidade de solo urbano pode contribuir, a prazo, para moderar a escalada dos preços de terrenos em determinadas zonas e abrir novas frentes de urbanização interessante para promotores residenciais e investidores de longo prazo. Ao mesmo tempo, aumenta a importância de ler o plano ao detalhe: índices de construção, condicionantes ambientais, hierarquias viárias e uso do solo serão decisivos na identificação dos “próximos hotspots” da cidade.


As vozes críticas alertam para riscos de dispersão urbana, aumento da dependência do automóvel e eventual subutilização de infraestruturas se a expansão não for acompanhada de uma estratégia clara de densificação equilibrada e transporte público eficiente. Questiona‑se também se o reforço de capacidade construtiva garantirá de facto habitação acessível ou se será absorvido, maioritariamente, por projetos de gama média e alta. Esta tensão entre crescimento, sustentabilidade e inclusão social será central no debate bracarense.


Para investidores e profissionais do setor, o novo PDM de Braga é uma espécie de “mapa do tesouro” para a próxima década. Identificar as novas zonas urbanizáveis, antecipar o calendário de infraestruturação e alinhar projetos com a visão oficial da cidade pode fazer a diferença entre um investimento mediano e uma operação de sucesso. Numa cidade em clara afirmação nacional e europeia, o planeamento passou a ser, mais do que nunca, um ativo estratégico.


Fontes: Urbanismo Braga – “Aprovado o novo PDM de Braga”; Câmara Municipal de Braga – Revisão do PDM.


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