Produção na construção sobe 4,5% em Portugal
- Redação Mudei e Agora
- há 6 dias
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A produção na construção em Portugal voltou a ganhar força e está a marcar o arranque de 2026 com um sinal relevante para todo o mercado imobiliário. Em novembro de 2025, a produção na construção subiu 4,5%, num contexto em que a zona euro e a União Europeia registaram uma quebra, reforçando a ideia de que o ciclo português tem dinâmicas próprias e mais positivas.
Este crescimento está muito associado à combinação entre obras públicas, reabilitação urbana e projetos privados de habitação que procuram responder a um défice acumulado de oferta. Anos de subinvestimento, burocracia e custos de construção elevados criaram uma escassez estrutural de casas, especialmente nas grandes cidades. O aumento da produção não resolve tudo, mas indica que o setor está a reagir e a ganhar tração.
Para o profissional do imobiliário, este movimento é crítico por duas razões. A primeira é a perspetiva de um reforço gradual do stock disponível, o que tende a aliviar a pressão sobre os preços de venda e arrendamento no médio prazo. A segunda é o sinal de confiança: bancos, promotores e investidores voltam a avançar com projetos, mesmo num ambiente ainda exigente em termos de custos operacionais e margens.
Regionalmente, a nova dinâmica está concentrada em áreas metropolitanas e eixos urbanos com maior procura, mas começa também a beneficiar cidades de média dimensão. Nestes mercados, o custo do solo é mais acessível e existe margem para criar produto com relação qualidade/preço mais equilibrada. Isso abre oportunidades para quem trabalha em captação de terrenos, promoção local e intermediação de projetos residenciais orientados para famílias e classe média.
Outro ponto relevante é o reposicionamento estratégico das construtoras. Depois de anos focadas na sobrevivência e na gestão de risco, muitas empresas começam a ajustar portefólios, apostar em parcerias e procurar nichos de especialização, como reabilitação, eficiência energética ou construção modular. Para mediadores e consultores, conhecer estes movimentos internos é uma vantagem competitiva na identificação de parceiros para novos empreendimentos.
Apesar do crescimento, o contexto continua frágil. A evolução das taxas de juro, a disponibilidade de mão de obra qualificada e a estabilidade das regras urbanísticas serão determinantes para saber se esta aceleração é sustentável ou apenas um pico momentâneo. A regulação também terá um papel central: licenças mais rápidas, clara definição de índices e previsibilidade fiscal fazem a diferença entre um pipeline que se concretiza e outro que fica apenas no papel.
No plano macro, Portugal beneficia ainda de um posicionamento atrativo para capital estrangeiro, que continua a olhar para o país como um mercado relativamente pequeno, mas estável e com potencial de valorização. O reforço da construção dialoga com essa narrativa: mais projetos, maior liquidez e capacidade de absorver diferentes perfis de investimento, desde fundos institucionais a investidores particulares à procura de produto para rendimento.
Para quem atua no dia a dia – consultores, mediadores, avaliadores, promotores – o aumento da produção deve ser visto como um convite à antecipação. Mapear zonas com mais obra nova, acompanhar licenças, entender tipologias mais procuradas e posicionar-se junto dos promotores torna‑se essencial para capturar negócio quando os imóveis chegam ao mercado. Num contexto em que a oferta começa finalmente a reagir, quem estiver melhor informado ficará em vantagem.
Fonte: Vida Imobiliária – “Produção na construção sobe 4,5% em Portugal e cai na zona euro”



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