Custos de Construção de Habitação Nova Sobem 3,9% em Julho
- Redação Mudei e Agora
- 11 de ago.
- 3 min de leitura

O setor da construção em Portugal registou, em julho de 2025, um aumento de 3,9% nos custos de construção de habitação nova face ao mesmo mês do ano anterior, segundo dados divulgados pelo Instituto Nacional de Estatística (INE). A subida é ligeiramente superior ao crescimento registado nos meses anteriores, refletindo a pressão contínua sobre materiais e mão de obra.
Componentes que mais influenciaram a alta
O INE explica que o aumento foi impulsionado sobretudo por:
Custo dos materiais, que subiu 2,8%;
Custo da mão de obra, que avançou 5,4%.
Estes dados evidenciam que, embora os preços de alguns materiais de construção tenham estabilizado após picos registados entre 2021 e 2023, a valorização salarial dos trabalhadores da construção continua a ser um dos principais motores do aumento geral.
Por que a mão de obra pesa tanto
O mercado de trabalho na construção enfrenta uma escassez crónica de profissionais qualificados, como pedreiros, carpinteiros, eletricistas e técnicos especializados em eficiência energética. Com a procura em alta e a oferta limitada, as empresas são forçadas a aumentar salários para atrair e reter trabalhadores, o que se reflete diretamente no custo final das obras.
Além disso, a forte concorrência por mão de obra com outros países europeus agrava a situação. Muitos trabalhadores portugueses migram para países como França, Luxemburgo ou Bélgica, onde as remunerações podem ser significativamente mais altas.
Impacto no preço final das habitações
O aumento dos custos de construção tende a ser repercutido nos preços de venda e arrendamento. Promotores imobiliários já alertam que, sem medidas de contenção de custos ou incentivos fiscais, o preço de novos empreendimentos residenciais pode subir entre 5% e 8% até ao final de 2025.
Para compradores, isso significa uma pressão adicional num contexto em que as taxas de juro, embora em queda, continuam acima dos níveis históricos. Para arrendatários, poderá significar menos oferta de habitação nova a preços acessíveis.
Perspetiva histórica
Entre 2020 e 2022, os custos de construção dispararam mais de 20% devido à pandemia, interrupções nas cadeias de abastecimento e subida abrupta de matérias-primas como aço, madeira e betão. Em 2023 e 2024, houve uma desaceleração, mas o crescimento atual mostra que o setor ainda não regressou à normalidade pré-COVID.
Sustentabilidade e novas exigências
Outro fator que influencia custos é a crescente exigência de eficiência energética e certificações ambientais, como o BREEAM ou o LEED. Embora estas medidas aumentem o valor a longo prazo dos imóveis e reduzam custos operacionais, representam um investimento inicial mais elevado para construtores.
Possíveis soluções
Especialistas sugerem três eixos de atuação para mitigar a subida de custos:
Formação profissional para aumentar a oferta de mão de obra qualificada.
Incentivos fiscais para construtores que utilizem materiais sustentáveis e inovadores.
Parcerias público-privadas para promover habitação acessível sem sacrificar qualidade.
Tendência para o resto de 2025
A expectativa é de que os custos de construção se mantenham em alta, mas com um ritmo de crescimento moderado — entre 3% e 4% até ao final do ano. A evolução dependerá da estabilidade dos preços internacionais de matérias-primas e da capacidade de atrair mão de obra para o setor.
Para investidores e compradores, acompanhar estes indicadores é fundamental para definir o melhor momento de avançar com projetos ou aquisições.
Fonte: Instituto Nacional de Estatística (INE) / Jornal Económico



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